A confissão de Lúcio (1914) à luz do impressionismo literário
DOI:
https://doi.org/10.47295/mren.v14i2.2311Resumen
A revolução Industrial, no século de XIX, desencadeou uma série de inovações que impactaram profundamente não só o setor industrial, mas o âmbito das artes também. Dentre as inovações que modificaram o cenário artístico e a história da arte, destacam-se a invenção da fotografia e da prensa tipográfica, que revolucionaram o modo de produção, difusão e recepção das artes. É nesse contexto de fortes mudanças tecnológicas e culturais que emerge a pintura impressionista. Liderada por pintores como Monet, Renoir e Pissarro, as pinturas impressionistas foram recebidas de modo áspero pela crítica, que tentou a todo custo deslegitimar a qualidade das produções. Para além da transgressão aos padrões clássicos da época, o impressionismo também alcançou o espaço literário, manifestando-se em três correntes teóricas: negativista, comparatista e narrativista. A primeira tendência defendia a impossibilidade de transposição das técnicas do impressionismo pictórico para o literário. A segunda abordagem defendia justamente que o impressionismo literário incorporava características estéticas da pintura impressionista, ou seja, seria uma ramificação do pictórico. A última tendência encarava o impressionismo literário como um movimento independente do pictórico, tendo como premissa estética a experimentação, impressão e sugestão na significação da diegese. Assim, ao nos depararmos com a narrativa fragmentária e ambígua da novela A confissão de Lúcio (1914), do escritor Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), pretendemos analisar tais aspectos à luz do impressionismo literário, por meio das teorias de Todd Bender (1997), Pierre Francastel (1964), Jesse Matz (2001), José Guilherme Merquior (1996), Xavier Placer (1962) e Franco Sandnello (2017a, 2017b, 2019).
Citas
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